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Inspirado em poema do pernambucano João Cabral de Melo Neto, espetáculo provoca e inquieta publico com estética inovadora e dança vigorosa

Deborah Colker faz em Cão sem plumas, baseado no poema homônimo de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), seu primeiro espetáculo de temática explicitamente brasileira. A estreia internacional aconteceu em 3 de junho de 2017, no Teatro Guararapes, em Recife. A apresentação do espetáculo em Maceió será no dia 14 de março de 2018, no Teatro Gustavo leite. A Cia. Deborah Colker conta com o patrocínio da Petrobras desde 1995.

Publicado em 1950, o poema acompanha o percurso do rio Capibaribe, que corta boa parte do estado de Pernambuco. Mostra a pobreza da população ribeirinha, o descaso das elites, a vida no mangue, de “força invencível e anônima”. A imagem do “cão sem plumas” serve para o rio e para as pessoas que vivem no seu entorno.

“O espetáculo é sobre coisas inconcebíveis, que não deveriam ser permitidas. É contra a ignorância humana. Destruir a natureza, as crianças, o que é cheio de vida”, diz Deborah.

A dança se mistura com o cinema. Cenas de um filme realizado por Deborah e pelo pernambucano Cláudio Assis – diretor de longas-metragens como Amarelo Manga, Febre do Rato e Big Jato – são projetadas no fundo do palco e dialogam com os corpos dos 13 bailarinos. As imagens foram registradas em novembro de 2016, quando coreógrafa, cineasta e toda a companhia viajaram durante 24 dias do limite entre sertão e agreste até Recife.

A jornada também foi documentada pelo fotógrafo Cafi, nascido em Pernambuco. Na trilha sonora original estão mais dois pernambucanos: Jorge Dü Peixe, da banda Nação Zumbi e um dos expoentes do movimento mangue beat, e Lirinha (ex-cantor do Cordel do Fogo Encantado, poeta e ator), além do carioca Berna Ceppas, que acompanha Deborah desde o trabalho de estreia, Vulcão (1994). Outros antigos parceiros estão em cenografia e direção de arte (Gringo Cardia) e na iluminação (Jorginho de Carvalho). Os figurinos são de Claudia Kopke. A direção executiva é de João Elias, fundador da companhia.

Os bailarinos se cobrem de lama, alusão às paisagens que o poema descreve, e seus passos evocam os caranguejos. O animal que vive no mangue está nas ideias do geógrafo Josué de Castro (1908-1973), autor de Geografia da fome e Homens e caranguejos, e do cantor e compositor Chico Science (1966-1997), principal nome do mangue beat. O movimento mesclava regional e universal, tradição e tecnologia. Como Deborah faz.

Para construir um bicho-homem, conceito que é base de toda a coreografia, a artista não se baseou apenas em manifestações que são fortes em Pernambuco, como maracatu e coco. Também se valeu de samba, jongo, kuduro e outras danças populares.

“Minha história é uma história de misturas”, afirma ela.

Tendo a Petrobras como mantenedora desde 1995, seu grupo se firmou como fenômeno pop em Velox (1995), Rota (1997) e Casa (1999). Os espetáculos Nó (2005), Cruel (2008), Tatyana (2011) e Belle (2014) trataram de temas existenciais, como os afetos. Em Cão sem plumas, Deborah reúne aspectos de toda a sua carreira.

“Cabem a elegância do clássico, a lama das raízes e o olhar contemporâneo. O nome disso é João Cabral”, diz ela.

SERVIÇO
Cia. Deborah Colker – Cão Sem Plumas
Teatro Gustavo Leite – Centro de Convenções de Maceió
Rua Celso Piatti, S/N – Jaraguá
Dia: 14 de março 2018
Horários: 21h
Ingressos:
Plateia A: R$ 140,00 (inteira) e  R$ 70,00 (meia)
Plateia B: R$ 120,00 (inteira) e  R$ 60,00 (meia)
Mezanino: R$ 80,00 (inteira) e  R$  40,00 (meia)

Vendas on line: www.eventim.com.br
Livraria Leitura (Parque Shopping)
Soraya Farias Acessórios (Rua Engenheiro Mário de Gusmão, 507 Galeria Ponta Verde Center)

Formas de pagamento: Cash / débito / crédito
Info: 82 3235-5301
Site: www.suechamusca.com.br
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ROTEIRO
1. Aluvião
2. Rio Ribeirinho
3. Caranguejão
4. Canavial
5. Rio Cão
6. Mangue
7. Garça
8. Cidade

CRÉDITOS
Criação, Coreografia e Direção DEBORAH COLKER
Direção Executiva JOÃO ELIAS
Direção de Arte e Cenografia GRINGO CARDIA
Direção Cinematográfica CLÁUDIO ASSIS e DEBORAH COLKER
Dramaturgia CLÁUDIO ASSIS
Direção Musical JORGE DÜ PEIXE e BERNA CEPPAS participação especial LIRINHA
Desenho de Luz JORGINHO DE CARVALHO
Figurino CLAUDIA KOPKE
Fotografia CAFI
Elenco ALINE MACHADO, BIANCA LOPES, DILO ALBERTO, FILIPI ESCUDINE, ISADORA AMORIM, JAIME BERNARDES, LEONY BONI, OLIVIA PUREZA, PHELIPE CRUZ, PILAR GIRALDO, ROSINA GIL, UÁTILA COUTINHO, VICTOR VARGAS